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nana7q
24 February 2012 @ 08:29 pm
   -x- Clone Ecstasy -x-   
Seis horas da manhã. Esse era o horário que marcava em meu relógio quando acordei. Engraçado, não me lembro de ter dormido. Nem de ter voltado ao meu quarto. Como eu vim parar aqui?
Me lembro de estar sentado num dos bancos do jardim, de ter encontrado Aoi lá... Ele me beijou outra vez, não é? Sim, foi isso... E depois ficamos abraçados. O perfume que ele usava era tão gostoso nee... Acho que... Eu adormeci abraçado a ele. Acho que não tomei meus remédios.
Levantei-me para tomar um banho e fui surpreendido novamente por Aoi. Ele estava sentado em uma cadeira ao lado da cama, e me impediu de levantar da mesma, com uma expressão preocupada.
- Não ouse levantar dessa cama, Yuu. - Uma de suas mãos forçou-me a deitar novamente, e, estranhamente, meu corpo não resistiu a isso. Estava me sentindo fraco. A outra mão de Aoi abriu uma gaveta do criado-mudo que fica ao lado da minha cama, retirando de dentro um termômetro. - Vamos ver se sua febre melhorou.
- Febre? - Minha voz saia fraca. Não sentia frio nem calor, e pude notar que estava com muitos cobertores. Ele retirou os mesmos parcialmente de meu corpo, e ai eu senti frio. Ele colocou o termômetro debaixo do meu braço, olhando-me preocupado. O que estava acontecendo ali?
- Você começou a ficar sonolento e muito quente, e eu estranhei. Ai você desmaiou. - Afagou minha bochecha, sorrindo ternamente. - Eu te trouxe pra dentro. Esse quarto fedia a você. Acho que acertei nee?
- Acertou... - Sorri. - Mas eu não sou fedido. - Mostrei minha língua a ele, e logo a recolhi, meu rosto queimando. O que diabos eu estava fazendo?
- Claro que não, anjo. - Ele riu, ainda afagando minhas bochechas. - Seu cheiro é gostoso, foi só uma força de expressão. - Senti meu rosto queimar novamente. Eu devia estar parecendo uma colegial bobinha e uke.
Seus olhos pareciam cansados. Será que ele não dormiu?
 Deixe-se surpreender. O impossível pode acontecer. 
-x- Clone Ecstasy -x-
Peguei o termômetro de volta e cobri Yuu novamente. 39º de febre. Fiz menção de levantar, mas ele segurou minha mão, impedindo-me de ir.
- Onde você vai? - Yuu mordeu o lábio. Diferentemente dos meus, eles não eram adornados por um piercing. - O prédio tá cheio de caçadores atrás de você.
- Fica tranquilo, eu só vou buscar um remédio para você. - Sorri, tentando transmitir confiança. - Ontem Uru-pon me viu te carregando. Ele quase me atacou. - Ele parecia aterrorizado. Será que ele se preocupava comigo?
- O que aconteceu?
- Ele te viu desmaiado e pensou que eu tivesse te atacado. Mas eu expliquei a ele que você desmaiou, e ele acreditou. Uru-pon me conhece, sabe quando estou mentindo.
- Uru-pon? - Ele inclinou adoravelmente a cabeça para o lado direito. Não pude deixar de rir do gesto infantil dele.
- Antes que ele virasse anjo e eu virasse demônio nós éramos amigos. Amigos de infância. - Suspirei. Odiava essa nossa condição. - Morremos juntos em um acidente, viramos o que somos ao mesmo tempo. Só queria que estivéssemos do mesmo lado.
- Eu sinto muito por terem que lutar, mesmo sendo amigos.
- Acho que ele encontrou um jeito de acabar com isso. - Sorri, levantando-me e dirigindo-me à porta.
- Como assim? - A inocência dele era tão... Tentadora.
- Ele criou alguém por quem me apaixonei. - Sai pela porta, sem ver a reação dele. Não queria que ele visse o meu constrangimento.
Andei pelo lugar, vendo alguns rostos se virarem à minha passagem, observando-me. Todos ali estavam irritados. Sabiam quem eu era, mas não podiam atacar. Não quando Uru-pon havia ordenado que não o fizessem. Fui à sala dele e bati na porta, que logo foi aberta, dando-me espaço para passar.
- Uru-pon, preciso de remédios para o Yuu.
- Já providenciei isso. - Apontou para uma sacola com alguns frascos. - Ele está assim pela falta dos remédios ontem.
- Ele tem algum problema de saúde? - Mordi o lábio involuntariamente. A preocupação inundava minha mente.
- Alguns problemas. - Suspirou, sentando-se em uma poltrona e indicando-me outra. Permaneci de pé. - A saúde dele é muito frágil. Ficar sem remédios deixa-o debilitado. Febre é o menor dos sintomas.
- Obrigado por me informar. - Peguei a sacola de remédios e dirigi-me à porta. - Vou cuidar bem dele.
- Não duvido disso. Há muito tempo eu não te vejo agindo assim. - Parei antes de atingir a porta e voltei meu olhar para ele.
- Assim como?
- Atencioso, cuidadoso... - Sorriu, levando uma das mãos à face, escorando-a ali. - Ele roubou seu coração, certo?
- Vai se ferrar, Uruha. - Sai pela porta, ouvindo o riso do loiro.
O Amor é cego e surdo, sem noções de moral ou costumes, sádico e abusado. Alguém discorda?
-x- Clone Ecstasy -x-
Yuu levantou-se da cama, contrariando o pedido de Aoi. Pegou roupas limpas e foi tomar um banho. Despiu-se, ligou o chuveiro e entrou debaixo d'água. Passou shampoo em seus cabelos e começou a brincar com a espuma, fazendo barulhinhos com a boca.
- O que você tá fazendo? - Aoi ria, olhando Yuu da porta do banheiro. Yuu sentia o rosto queimar mais que nunca.
- N-não é nada... - Escondeu o rosto com as mãos, mesmo que devesse ter escondido outra parte de seu corpo.
- É bonitinho... - Aoi passou a se despir, deixando suas roupas caírem no chão. O demônio entrou no box e tirou as mãos do rosto de Yuu, sorrindo para ele. - Se importa se eu tomar banho com você? - O caçador, então, ficara sem ação diante da proximidade dos corpos nus.
Aoi põe as mãos na cintura do outro, iniciando um beijo calmo, timidamente retribuído por Yuu. Logo este enlaça o pescoço do outro com os braços, acariciando a nuca do demônio. As mãos de Aoi logo descem para as coxas de Yuu, apertando-as. O demônio puxou-as até a altura de sua cintura, pressionando o outro contra a parede, assustando-o.
- A-aoi... O que você tá fazendo? - Seu rosto estava corado. Aoi deu um sorriso.
- Relaxe. Não vou fazer nada que você não quiser. - Levou uma das mãos ao membro desperto de Yuu, que soltou um gemido. - E acho que você quer, não é? - Sorriu de canto.
- Aoi, eu... eu... - O demônio levou o dedo em riste aos lábios do outro, calando-o.
- É a sua primeira vez, eu sei. - Yuu corou ainda mais. Seus lábios entreabertos foram invadidos pela língua do outro. - Eu vou ser carinhoso. Quero que você sinta prazer. Não é um estupro. - Um sorriso doce formava-se nos lábios do demônio, que acariciava o rosto de Yuu.
O caçador fechou os olhos, aproveitando o carinho que Aoi lhe proporcionava. Uma das mãos do demônio acariciava-lhe a face, enquanto a outra estimulava seu membro, fazendo-o gemer baixo. Seu rosto estava corado e a cabeça pendia para trás. Para Aoi, a visão não poderia ser mais perfeita.
As mãos de Yuu moviam-se acanhadamente, acariciando as costas do outro. Aquelas sensações, aquela situação... Tudo ali era novo para ele. Sua cabeça estava confusa, mas não queria que aquele contato acabasse.
O demônio passou a língua pelo pescoço de Yuu, arrancando suspiros da boca do outro, que mantinha os olhos fechados e os lábios entreabertos. Yuu, por sua vez, levou as mãos para a cabeça de Aoi, puxando-lhe levemente os cabelos. O demônio, então, afastou o rosto do pescoço de Yuu, olhando em seus olhos, sorrindo.
Os pés de Yuu tocaram novamente o chão e Aoi ajoelhou-se diante dele, ainda com um sorriso doce nos lábios. Segurou com uma das mãos a base do membro do outro, lambendo a glande em movimentos circulares. Yuu agarrou os cabelos do demônio, gemendo pelas sensações que o outro proporcionava. Mas logo empurrava, sem força, Aoi para longe.
- Algo de errado? - Ainda ajoelhado, o demônio encarava Yuu. Seus olhos mostravam certa compreensão, enquanto os do caçador estavam confusos.
- A-aoi... Eu... - Levou as mãos ao rosto enrubescido, como se tentasse se esconder. - Eu não quero... - Sua voz soava chorosa. O demônio, então, levanta-se, abraçando o outro.
- Gomen nee... Não fiz isso por mal. - Aoi mantinha-se acariciando as costas de Yuu, que escondera o rosto na curva de seu pescoço. - Você é irresistível.
Se o caçador e a caça se apaixonam, quem somos nós para julgá-los?
-x- Clone Ecstasy -x-
O que estava acontecendo comigo? Porque não empurrei Aoi para longe, porque não impedi que entrasse naquele box? Porque eu fico corado só de pensar nele?
Ficamos abraçados sob a água que caía. Eu não conseguia pronunciar uma única palavra, mas ele cantava próximo ao meu ouvido. Não sei definir aquela musica tão tranquila, tão bonita. Acho que, nem se eu quisesse, conseguiria transformar em palavras o que eu senti ao ouvi-la. Parecia um tipo de canção de ninar, mas era surreal.
- Hey, não durma. - Aoi riu. Sua risada era tão gostosa... - Você ainda tem que terminar o banho e tomar seus remédios.
- Não quero tomar remédio nenhum... - Droga, minha voz ainda estava chorosa. Eu... Estava fazendo manha?
- Mas vai tomar. - Ele me soltou do abraço, e, involuntariamente, eu soltei um muxoxo de descontentamento. Mas que ódio de mim mesmo! Como eu posso agir feito uma criança?
Aoi pegou uma esponja e começou a lavar meu corpo. Acho que, por mais impossível que pareça, eu fiquei mais corado do que antes. Merda, eu admiti. Agora já era.
Eu estava perdido. Me perdi nas palavras, nos gestos e no olhar de um demônio. Acho que o inferno me aguarda quando eu morrer.
E isso não deve demorar.
A morte nos liberta de muitas coisas. Mas nos priva de muitas outras. Afinal, morte é ambiguidade.
-x- Clone Ecstasy -x-
 
 
Current Mood: sleepysleepy
 
 
nana7q
24 February 2012 @ 08:09 pm

Olá, amores mios q To de volta da moleza xD q

Sem mais delongas, quero dedicar esse capítulo à Yui, minha bocchan, que tá doida pra ler xD Beijo, chibi <3


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THE RAPIST

Capítulo 7

-Nevasca-

 

Residência Shiroyama

21 de Janeiro – 13:27h

 

Acordei ligeiramente confuso, esfregando as têmporas com as mãos, enquanto meus olhos tentavam se acostumar à claridade. Estava claro demais. Maldita ressaca. Que horas seriam? Olhei para o relógio e bufei. Já passava do meio dia.

Assim que me sentei, pude notar que ainda vestia as roupas do dia anterior. Por que diabos eu ainda estava vestido? Fazendo algum esforço, eu lembrei. Havia passado a madrugada inteira, bêbado, beijando Satoru. Um homem. Merda.

Olhei para o lado. Estava sozinho, mas o cobertor estava levemente dobrado, como se alguém houvesse dormido ao meu lado. Bonito, Shiroyama. Muito bonito. Você mal conhece o cara, fica bêbado, o beija e dorme do lado dele. Um cara. Não, não, tudo estava errado. Quando foi que eu comecei a gostar de homens? Pelo menos não havia sinais de... Sexo.

Levantei da cama e desci. A sala ainda estava a mesma bagunça da noite anterior, e um cheiro de comida pronta enchia os cômodos da casa. Fui para a cozinha, e lá estava ele. Com os fios claros bagunçados e meu avental negro por cima das roupas da noite anterior, Satoru preparava algo que não pude identificar. Sentei-me à mesa da cozinha e encostei minha testa sobre a mesma, envergonhado. Que diabos, eu havia beijado um homem e ele agora fazia comida na minha cozinha.

 

- Finalmente levantou. – Ele disse, deixando a comida, já pronta, sobre a mesa.

- Tá acordado há muito tempo?

- Mais ou menos. Aí resolvi fazer nossa comida. Já ia te chamar. – Graças aos céus eu havia acordado sozinho. Seria ainda mais constrangedor se ele levasse comida na cama para mim. Assim as coisas pareciam mais... Bem, mais heterossexuais. Ergui o corpo e ele se sentou ao meu lado. Já havia feito um prato para mim. Começamos a comer, em silêncio. A comida estava boa, e o silêncio constrangedor.

- Satoru, sobre ontem...

- Você estava bêbado, eu também. Não se preocupe com isso, Yuu. – Engoli em seco.

- Ah... Então tudo bem.

 

Minha cabeça girava. O clima ficou muito esquisito, e acho que ele notou. Colocou uma mão sobre meu ombro e sorriu.

 

- Não tem que pensar sobre isso. Aconteceu. Se ficar martelando isso na cabeça só vai ficar mais confuso.

- Eu nunca disse que...

- Yuu, eu sou um psicólogo. Reconheço uma pessoa confusa. Somos amigos também, não é? Deixa isso pra lá.

 

15:46h

 

- Voltou a nevar. - Satoru falou, quando decidimos parar um pouco de jogar vídeo game. Coloquei no canal do tempo.

- Mas não deve demorar a passar. – Desliguei a televisão. – Você já deve ter se cansado da minha cara, não é mesmo?

- Óbvio que sim, não sei como consegui passar a noite com você.

- Satoru!

- Estou brincando, Yuu. A companhia é boa. Mas preciso de um banho.

- Se quiser, te empresto umas roupas. Também preciso de um banho.

 

Levantamos do sofá e fomos ao meu quarto. Separei algumas peças de roupas para ambos e peguei uma toalha para ele. Indiquei o banheiro ao fim do corredor e retornei ao meu quarto, entrando no banheiro do mesmo.

Tirei as roupas e entrei no box, deixando a água morna cair pelo meu corpo, a mente vagando pela noite passada, desde o início. Havia sido divertido comemorar meu aniversário daquele jeito, e a noite havia sido agradável, apesar... Do beijo.

Onde eu estava com a cabeça quando beijei o Satoru? Joguei um pouco de água no rosto, pensando. Não podia culpa-lo, já que eu havia iniciado. E insistido. Mas ele não havia me afastado. Também não quis que passasse daquilo, me respeitou. Então... Não dava mais para negar. Estava atraído por um homem. Merda, Shiroyama.

Quando aquilo havia começado? Nunca havia sentido nada por nenhum homem, nem sequer uma vez. Peguei-me tocando meus lábios com as pontas dos dedos, como para relembrar o toque dos seus... Joguei mais água no rosto. Isso estava começando e ficar ridículo.

Saí do banho e me troquei. Ao sair para o quarto, notei uma caixa sobre a mesa que havia em um canto. O tal presente do meu perseguidor e perseguido. Cobri a distância em poucos passos e abri a caixa. Dentro da mesma, um dvd. Luna Sea – Live in Tokyo Dome. Junto ao mesmo, um bilhete.

 

“Sei que não conseguiu comprar na época por causa do castigo. Você apareceu nas filmagens, sabia? Espero que goste de relembrar.

 

Atenciosamente,

 

Deus da Música”

 

- Então, Tokyo Dome... – Foi a primeira coisa que pensei. Claro, como não lembrei disso antes? O primeiro show da minha vida havia sido lá. Cheguei a fugir de casa, inclusive. E fiquei de castigo por isso. Como ele poderia saber?

- Presente? – Olhei para trás e lá estava Satoru, usando uma calça de moletom preta e uma blusa larga da mesma cor que eu havia emprestado, enxugando os cabelos com a toalha. Assenti. – Não é o show que você me falou?

- É sim, mas eu recusaria, se pudesse.

- Por quê?

- Não gosto da ideia de receber presentes de alguém que me persegue.

- Ah... - Ficamos alguns instantes em silêncio, tempo o suficiente para que eu amassasse o bilhete. – Anda, não fica assim. Pelo menos é um bom presente, não uma bomba.

- Só não faz muito sentido ficar ganhando coisas de um cara assim, nee?

- Até parece que ele te ama.

- Estou começando a achar isso também.

 

Virei o dvd nas mãos, olhando o setlist do show. Ainda me lembrava como se fosse ontem, impressionante. Ri baixo e soprado, um sorriso brotando nos lábios, mas fiquei estático ao sentir que era abraçado por trás.

 

- S...satoru?

- Você parece tenso, achei que precisava de um abraço.

- Isso é coisa de psicólogo?

- Mais ou menos.

- Então..?

- Prefiro ficar de boca fechada nesse caso, estou sem meus advogados. – Não me contive em rir, sentindo-me estranhamente confortável naquela situação esquisita.

- Posso te fazer uma pergunta como paciente?

- Isso lá é hora pra consultas? – Ri mais uma vez, sendo acompanhado por ele. – Pergunte o que quiser, Yuu.

- Quando alguém passa por... um episódio traumático como o meu, é normal a cabeça ficar bagunçada, nee?

- Você trabalha com psicologia também. Achei que era meio óbvio. Mas acho que a pergunta não era bem essa.

- É tão mais fácil quando a pessoa não entende de psicologia... – Suspirei pesado, e ele tornou a rir. – Não tem graça.

- Na verdade tem, bastante. Então?

 

De repente, comecei a me sentir extremamente constrangido por ainda estarmos abraçados. Dei alguns passos adiante, me afastando e voltando o olhar a ele.

 

- Hm... Deixa pra lá.

- Desistiu?

- Não sei se quero falar, estou sem meus advogados.

- Espertinho.

 

Satoru deu alguns passos adiante, e subitamente me senti acuado, com vergonha. Merda, Shiroyama, pare de parecer uma colegial.

 

- Mas agora eu fiquei curioso.

- Vai continuar curioso. – Desviei o olhar rapidamente, evitando corar. Por que diabos eu tinha que ficar lembrando a noite passada o tempo todo?

 

19:04h

 

- Olha, finalmente parou de nevar.

- Bem que podia cair uma nevasca, não acha? Quem sabe você resolvesse beber comigo e me desse outro beijo? – Falou em um tom zombeteiro, e mesmo assim senti meu rosto arder um pouco.

- Você não tem mais o que fazer não?

- Sabe como é, vida de rico... Dinheiro de sobra, bebida e muitas mulheres.

 

Sem conseguir me conter, soltei uma gargalhada sonora. Satoru ficou me encarando até que eu me controlasse.

 

- Qual a graça?

- Te imaginar de sunguinha pagando de cafetão, talvez.

- Cafetão?

- Dinheiro, bebida e mulheres. Só faltou o sexo na descrição.

- Ah, mas se eu fosse cafetão não ia andar de sunga com as vadias. Tem que usar um terno rosa e um chapéu com plumas.

 

Voltei a rir, ainda mais, enquanto ele fazia prováveis poses de cafetão. Não podia ser mais hilário.

 

- Então eu vou nessa, tenho que ir tocar o puteiro, sabe?

- Satoru, cala essa boca.

- Que foi, vai ficar rindo da minha profissão nova? – Riu baixo, muito provavelmente de mim, que não parava de rir. – Não quer ganhar uma grana extra não, delícia? Você ia fazer sucesso com a clientela.

- Arranja o terno rosa e o chapéu de plumas que nós conversamos.

 

Levei-o até a porta, ainda tentando controlar o riso. Apesar da constatação... assustadora que eu havia tido mais cedo, o dia fora divertido, leve. E bastante vergonhoso, em alguns instantes.

Com tudo aquilo, o caso do Deus da Música havia ficado fora da minha mente em quase todo o tempo. Fechei a porta e me larguei no sofá, esfregando as têmporas. Tinha mesmo que me lembrar disso agora para estragar o resto do dia? Tokyo Dome... Algum assassinato envolvendo o local agora passaria a fazer parte do nosso caso também. Quem seria a vítima?

Um caso que já não era fácil agora ficava mais trabalhoso. Teria que levar as novas informações e suposições para o escritório na segunda. Ou melhor... A data do show! Havia sido perto do meu aniversário, certo? Final de janeiro ou início de fevereiro, não lembro a data exata, mas... Será que ele faria a mesma coisa que havia feito no Monte Fuji? Isso complicaria um pouco as coisas. Teríamos que isolar toda a área. Mas, por outro lado, poderia facilitar tudo. As câmeras de segurança seriam de grande ajuda!

Levantei em um pulo e fui correndo para o cômodo que servia de escritório. Sentei à mesa e comecei a passar minhas ideias para o papel. Dessa vez, ele não iria escapar.

 
 
Current Mood: sleepysleepy
 
 
nana7q
22 November 2011 @ 01:00 am
Como prometido, estoy aqui <3

Clone Ecstasy )
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-x- Clone Ecstasy -x-
 
- Mas Mestre Uruha... - Eu estava confuso. - Eu não devia matá-lo?
- Na verdade, criança, sempre há uma alternativa. Você tem escolha. - Sorriu docemente, espantando minha confusão momentaneamente. - O problema é como executar sua escolha. Matar é a alternativa mais fácil, claro.
- Mas como o senhor e o Mestre Gackt me ensinaram, a alternativa mais fácil nem sempre é a mais correta.
- Eles são demônios, criança. São aqueles que trazem o mal a este mundo!
- Mestre Uruha, perdoe-me a ousadia, mas... Nem todos eles são assim, como nem todos os anjos são puros e fazem o bem.
- Certo, você me pegou nessa nee... - Ele começou a rir, e eu o imitei. Mestre Uruha tinha a mente aberta. - Só não deixe que ele engane seu coração, está bem?
- Claro... - Eu acho.
 
Sai da sala de reuniões, deixando Mestre Uruha lá, refletindo. Eu também precisava refletir, então voltei a meu quarto, jogando-me na cama.
Escolha... Uma palavra tão pequena, tão significativa, tão... Libertadora. Ainda sim, ela estava me confundindo. Ou, talvez, outra coisa me confundisse. Aoi... O demônio que eu devia matar. Agora descobria que essa não era, realmente, a única solução. Mas a alternativa... Amor? Como poderia amar um demônio?
Peguei-me pensando naquele beijo, passando os dedos por meus lábios, por longos minutos. Aquele fora meu primeiro beijo... Mas o que estou pensando? Aoi é meu alvo, devo matá-lo. Não há como utilizar a alternativa da profecia. Não há como eu me apaixonar por um demônio.
 
Amor... O mais confuso dos sentimentos.
 
-x- Clone Ecstasy -x-
 
Aquela boate parecia-me tão distante. As pessoas passavam diante de meus olhos, mas eu não as via. Eu não estava procurando uma presa, não procurava alguém para passar aquela noite.
Ao invés disso, pensava novamente naquele caçador idêntico a mim, meu clone. Shiroyama Yuu. Por tantos séculos, esperei para encontrar-me com um ser perfeito... E a solução estava na tecnologia, naqueles que desenvolveram as técnicas de clonagem. Verdadeiros gênios. Um ser só poderia ser tão perfeito quanto eu se fosse idêntico a mim.
Repassava, mentalmente, como Yuu estava vestido. Coturnos negros, um belo sobretudo de couro, blusa negra com detalhes brancos por debaixo de uma camisa de tela vermelha e uma calça jeans larga. Os cabelos compridos, presos displicentemente, negros com pontas ligeiramente castanhas e a maquiagem marcando os olhos. Tudo conferia a ele um ar sexy. Incluindo aquela inocência.
Sacodi a cabeça. Não fazia sentido ficar ali, pensando naquele homem, desperdiçando meu tempo. Levantei-me e me dirigi à saída. Peguei meu carro com o manobrista e fui dirigir pela cidade, seguindo o cheiro dele. O que era um pouco difícil, pois era extremamente parecido com o meu. E o cheiro do couro ajudava a confundir-me ainda mais. Mas que se dane, eu iria achá-lo de qualquer jeito.
 
Quando um narcisista ama? Quando ele pode enxergar ao outro melhor que a si mesmo.
 
-x- Clone Ecstasy -x-
 
Tomei um banho e vesti uma roupa simples e confortável. O prédio ainda estava vazio, então eu podia vagar por ali sem receber aqueles olhares que tanto me magoavam. Mas nada ali me distrairia. Dirigi-me aos fundos, onde ficava um belo jardim. Nada fora do comum, apenas árvores, grama, flores e alguns bancos. Parecia mais um parque público.
Fui até um dos bancos, deitei-me e fechei os olhos. Senti a brisa noturna tocar meu rosto, afagar meus cabelos... Espera, desde quando a brisa tem dedos?
Levantei-me rapidamente, deparando-me com meu próprio rosto sorridente. Aoi. E eu estava sem minhas armas. Afastei-me, mas ele simplesmente riu.
 
- Acalme-se, Yuu. - Aoi deu um sorriso de canto encantador... Mas o que eu estou pensando? - Não vim tentar te matar, mas a recíproca não deve ser verdadeira, certo?
- O que faz aqui, demônio? Esse território é dos anjos. - Ele bateu com a mão algumas vezes no banco onde eu estava, chamando-me para sentar. Mas que diabos ele tem na cabeça?
- Senta aqui que eu te conto.
- Nem em sonhos.
- Acredite, o que acontece em sonhos te deixaria coradinho. - Ele riu, e eu senti meu rosto queimar. Merda. - Deixa de frescura, senta logo do meu lado. - Sentei ao lado dele, ficando a certa distância. Se ele quisesse me matar, já o teria feito. Certo?
- O que quer? - Permaneci olhando para as estrelas, tentando disfarçar meu constrangimento. O que está acontecendo comigo?
- Você realmente não sabe? - Suspirou pesadamente, e eu acabei olhando para ele. Seus olhos brilhavam de um jeito esquisito, mas eu não via ameaça naquilo. Ao contrário, senti-me estranhamente... Constrangido. - Não sei como consegue ser tão inocente e tão... Sexy.
- Sexy? - Voltei a encarar as estrelas novamente. Não precisava que ele notasse como me constrangia. Mas que inferno!
- É, sexy... - Senti sua mão tocar a minha, deslizar por meu braço. Arrepiei-me sob seu toque. Por que será que ele me fazia sentir essas coisas?
 
Não há bem sem o mal. Não há mal sem o bem.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Tão sexy. Tão inocente. Como ele conseguia? É exatamente como eu, mas apenas fisicamente. Exatamente como um reflexo, igual, mas diferente. Sua personalidade acanhada tornava-o ainda mais... Atraente. Se é que isso é possível. Perfeito.
Acariciei seu rosto, vendo que fechava os olhos e corava sob meu toque, aproveitando o carinho que eu lhe fazia. Confesso que senti uma vontade quase incontrolável de deita-lo ali, na grama, e faze-lo meu. Mas não poderia fazer isso com ele. Ele era tão puro e inocente que um anjo. Por alguma razão, eu queria protege-lo, queria conforta-lo... Será que eu estou apaixonado?
Aproximei-me um pouco mais dele, beijando sua testa. Ouvi-o soltar um suspiro baixo. Ele abriu os olhos e eu sorri para ele. Seus olhos pareciam confusos. Ele queria me matar, e provavelmente, agora, já tem ciência da profecia completa. Será que mudou de ideia? Ou será que estava tentando não mudar?
 
- Sabe Yuu, não queria te causar confusão...
- D-do que você está falando? - Ah, como ele ficava adorável corado e gaguejando. Não pude conter um sorriso.
- Contaram a você que há uma alternativa, certo?
- Mestre Uruha contou.
- Então... Não quer? - Afaguei suas bochechas novamente, e ele voltou a fechar os olhos.
- Querer o que?
- Se apaixonar por mim... - Inclinei-me para ele, selando brevemente nossos lábios. Quando me afastei, ele estava corado. Lindo. Envolvi seu corpo com meus braços, e ali ficamos por algum tempo, sem proferir uma única palavra.
 
Nunca pensei que eu tivesse a capacidade de amar...
 
-xClone Ecstasy -x-
 
 
Current Mood: anxiousanxious
 
 
nana7q
22 November 2011 @ 12:55 am
Olá, meus amores :3
Pois bem, estou sem aparecer há um bom tempo. Mas as coisas andaram agitadas. Mas sem justificativas. Vou postar Clone assim que postar Rapist ;D
Boa leitura o/

The Rapist )
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THE RAPIST
Capítulo 6
-Fake it-
 
Departamento de Polícia Japonesa – Unidade de Crimes Seriais
20 de Janeiro – 12:29h
 
- Isso não faz o menor sentido. – Akira balançava a cabeça em negação, enquanto fazia uma pequena pausa no trabalho de esquadrinhar cada pedaço de papel obtido no Monte Fuji, a procura de digitais que não fossem as minhas, saliva, suor, ou qualquer outro resíduo. – Esse maluco estupra e mata diversas pessoas, e agora quer dizer que é um justiceiro? Que deprimente...
- Em parte, faz sentido. Mas só na cabeça dele. – Retruquei. – O que eu não entendo é como ele selecionou todas as vítimas e qual o padrão para oculta-las ou exibi-las. As vítimas que conhecíamos antes tinham o histórico limpo, até onde sabemos.
- E o maldito ainda tem que ser perfeccionista em tudo! – Ouvi-o resmungar enquanto voltava ao trabalho. – Não consigo achar nada, nenhum vestígio sequer além de poeira, cola e as suas digitais.
- Belo jeito de comemorar meu aniversário...
- Falando nisso, e o tal presente?
- Quando chegar em casa, eu descubro. Tenho certeza que não é nada perigoso.
- Sei não, Aoi.
- Quantas chances ele já teve para me matar?
 
Entramos em um silêncio reflexivo, e Akira pôde voltar-se totalmente ao pedaço de papel que devia analisar. Enquanto ele o fazia, eu apenas divagava sobre tudo o que havia visto e lido no dia.
Doze assassinatos sem motivo aparente, sempre acompanhados daquela marca e de música. Doze assassinatos velados. E o primeiro descoberto, com a ajuda do próprio assassino, tratava-se de um... Possível estuprador. Aquilo, por si só, levava o perfil do assassino a uma grande incógnita, estaca zero. Teríamos que reconstruir o perfil o mais rápido possível. E o que será que o próximo assassinato nos revelaria? Seja um antigo ou um novo, tudo o que poderíamos fazer era esperar. E isso estava matando a todos, tenho certeza.
Estranhamente, mesmo sendo meu aniversário, não estava me incomodando em ficar ali, no escritório, pensando nas infinitas implicações daquele assassinato e daquelas revelações. A curiosidade estava começando a me consumir, devo confessar. Além da vontade de colocar o assassino atrás das grades, obviamente.
 
- Como pretende comemorar seu aniversário?
 
A pergunta me trouxe à tona, fazendo meu olhar recair sobre a figura do loiro, que já havia desistido de procurar alguma evidência, ou já havia terminado. Não faria diferença, de todo modo. Arqueei uma sobrancelha e dei de ombros.
 
- Pensei em fazer uma reunião pequena na minha casa. Chamar umas poucas pessoas, beber e relaxar.
- Pensei que diria isso, então já tomei a liberdade de chamar essas “poucas pessoas”, marquei na sua casa. Ah, vou levar o Uruha.
- Quem?
- Lembra do loiro da boate?
- Saindo sério com ele? – Akira deu de ombros.
- Um bom papo, uma boa foda, um corpo escultural... Não vejo porque não.
 
Soltei uma risada e assenti, saindo do laboratório. Teria que ir para casa arrumar as coisas, já que havia sido o último a ser avisado.
 
Residência Shiroyama
13:22h
 
Quando cheguei em casa, havia uma caixa pequena diante da porta de entrada. Peguei a mesma e deixei-a no meu quarto, ignorando-a por hora. Era hora de preparar a comemoração. Fiz algumas ligações e encomendei tudo o que precisava – comida e bebida. Não seriam muitas pessoas, mas, ainda sim, eu sabia que o clima não seria dos mais leves, ao menos não para mim.
Imerso na água morna durante o banho, fechei os olhos, relaxando os músculos, mas não a mente. O dia anterior ainda perturbava-me, e muito. Seria coincidência demais meu melhor amigo ter me levado a um local onde a resposta para o enigma do assassino serial que eu perseguia e que, aparentemente, também me perseguia? Seria sensato desconfiar de uma pessoa que eu conhecia há tanto tempo por mera coincidência?
Mas não havia sido apenas aquilo. O assassino me conhecia, e parecia conhecer muito bem. Sabia de detalhes particulares de minha vida, tinha fotos muito antigas de mim, assim como sabia usar o desafio para me instigar cada vez mais, e parecia saber quais seriam minhas reações diante de tudo. Não só aquela simples coincidência, como tudo começava a apontar diretamente para Hideto.
Ele sabia como deixar a cena do crime impecável. Afinal, era um policial. Sabia o suficiente sobre mim para prever minhas reações e para me instigar com desafios. E, sobretudo, tinha um humor e um senso de justiça muito estranhos. Muitas haviam sido as vezes em que havia presenciado cenas em que ele esbravejava que faria justiça com as próprias mãos se nada se resolvesse, mas nunca o fez. Sempre se manteve em vias legais.
Pela primeira vez na história do caso, havia um suspeito. E isso não era exatamente agradável. Manteria aquilo em segredo, por hora.
 
18:00h
 
Como de costume, assim que a hora marcada chegava, os japoneses lá estariam. E foi sem surpresas que a campainha soou exatamente às 18h, poucos minutos depois de tudo já estar devidamente organizado em minha sala e em minha cozinha. Abrindo um sorriso, mesmo que não totalmente verdadeiro, abri a porta e fui cumprimentando cada um que entrava, pedindo desculpas por marcar algo tão em cima da hora.
Eram, realmente, poucas pessoas. E pareciam não estar tão surpresas assim com a festa. Akira devia ter combinado aquilo muito tempo antes. Alguns colegas de trabalho, incluindo minha chefe, Akira e o loiro alto da boate, Hideto, alguns outros amigos de faculdade e Satoru. Não sabia muito bem porque o havia chamado, mas parecia-me rude não convidar alguém que havia se mostrado tão bom amigo em tão pouco tempo.
Deixei os presentes sobre a mesa de centro e servi a primeira rodada de bebidas para os convidados. Música rolando ao fundo, conversas animadas, brincadeiras leves. Era tudo o que eu precisava. Relaxar.
 
22:48h
 
Algumas pessoas já saiam e rumavam para as próprias residências, boa parte delas alta demais para dirigir. Por sorte – talvez – todos haviam sido sensatos e haviam chegado de taxi, ônibus ou metrô. Despedia-me de cada um, levando-os à porta da casa.
Poucas pessoas permaneceram. Akira e o loiro – Kouyou, apelidado de Uruha – estavam sentados no sofá, trocando carícias discretas e mantendo uma conversa nada discreta em voz baixa, Hideto conversava com Anne, e Satoru ajudava-me na cozinha.
 
- Tá, tá. – Ri, também alterado pela bebida, enquanto ajeitava porções de comida em travessas. – Sua vez.
- Hm... Sei lá, Yuu. Acabaram minhas perguntas.
- Duvido! Pergunta qualquer coisa.
- Então tá. – Ele riu, apoiando-se contra a bancada e cruzando os braços. – Melhor cd da sua coleção.
- Difícil... Acho que minha coleção do Helloween. E da sua?
- Olha, tem um cd de ópera que eu adoro cantar... – Rimos em uníssono, enquanto eu apenas tentava imaginar a cena. – Sua vez.
- Falando em música... Melhor show?
- Aí você me pegou. – Descruzou os braços e coçou a cabeça. – Mas acho que o do Metallica. Me fez querer superar o baterista deles!
- Você só pode estar brincando, Satoru!
- Não é brincadeira, eu tenho uma bateria imensa em casa. Comecei a treinar pesado depois disso. Acho que sou razoavelmente excelente. E o seu?
- Luna Sea, no Tokyo Dome. – Ele assobiou.
- Foi um ótimo show, também.
 
Assim que terminei de distribuir a comida nas travessas de vidro, voltamos para a sala. Arrumamos um espaço na mesa e colocamos tudo sobre a mesma. Quase que no mesmo instante, Akira foi até onde estávamos, e Uruha já estava de pé.
 
- To indo nessa, Aoi.
- Mas já?
- Sabe como é, nee? – Prendendo um riso, Akira indicou o outro loiro com um gesto de cabeça. Este já parecia extremamente bêbado. Assenti.
- Vê se não some.
- Pode deixar. – Acenou e foi até o loiro cambaleante, pegando-o pela cintura e o guiando para saída. Não precisava acompanha-los.
- Shiroyama, também estou de saída. – Veio a voz de Anne logo em seguida. – Feliz aniversário, mais uma vez.
- É, Yuu, feliz aniversário.
- Já vai também, Hideto?
- Vou passar a noite no hospital com a minha mãe ouvindo ela me xingar por estar bêbado. – Ri alto enquanto os acompanhava até a porta, muito mais por minha chefe que por meu amigo.
- Diga que uma festa sem ela não é o mesmo, então você bebe pra ficar feliz.
- É uma boa...
- Bom, até mais, Hyde. Anne-san, até o escritório.
- Já disse que está de licença. Agora boa noite.
 
Assim que fechei a porta e me virei, dei de cara com um sorridente Satoru. Por um momento, havia me esquecido dele.
 
- Anda, ainda tem comida e bebida. Você não estava com fome?
- Satoru, não vai ficar tarde pra voltar? – Perguntei, por educação.
- Ah, eu já sou grandinho, Yuu. E, além disso, alguém precisa te ajudar com essa bagunça gigante.
 
21 de Janeiro – 02:01h
 
Ainda conversávamos animadamente, absortos apenas naquela conversa leve e divertida. A noite não havia sido tensa, como havia imaginado que seria. E eu não podia negar que era por causa dele.
A neve agora caía, densa, do lado de fora. Seria praticamente impossível ir a qualquer lugar. Além disso, nenhum transporte público funcionaria de madrugada. Olhei para o relógio por acaso e levei um susto, e minha voz ao falar saia anormalmente pastosa.
 
- Sato... Olha a hora, cara. – Ele se virou para olhar o mesmo relógio de parede que eu e voltou o olhar para mim, com uma cara meio tensa.
- Acho que perdemos um pouco a noção do tempo.
- É, pouquinho. – Ri, negando com a cabeça. – E olha a neve... Vou arrumar o quarto de hóspedes pra você.
 
Fiz menção de me levantar, mas senti sua mão envolver meu pulso, me mantendo no lugar, com uma estranha sensação percorrendo minha pele pelo contato da mão quente em minha pele gelada.
 
- Não se incomode Yuu, eu posso pegar um taxi.
- Nessa nevasca, nem um trator vai passar por aqui. Não seja teimoso.
- Tá, mas eu to sem sono. Já quer ir dormir? – Neguei com a cabeça. – Então fica, vamos conversar mais e acabar com a bebida.
 
Apenas assenti, e ele soltou meu pulso, fazendo com que uma parte estranha da minha mente quisesse sua mão de volta em minha pele. Reprimi aquilo o mais fundo possível e voltei a me sentar.
Essas vontades estranhas... Tudo havia começado depois daquela noite horrível. Agora pareciam ainda mais difíceis de controlar, devido à bebida. Aos poucos, elas iam prevalecendo.
Enquanto conversava com Satoru, comecei a reparar algumas coisas. O jeito que suas bochechas se contraiam ao sorrir, os movimentos que fazia com as mãos ao falar, e... Virei o rosto involuntariamente ao reparar para onde meus olhos estavam rumando.
Okay, cérebro, você e eu já bebemos um bocado, mas não é por isso que vamos virar gays e começar a reparar no tamanho dos outros.
 
- Algum problema, Yuu? – Neguei com a cabeça, sem coragem para falar. E então senti sua mão em meu ombro. Paralisei. – Não parece estar tudo bem. Quer vomitar?
- Não é isso... – Respondi em voz baixa.
- Então, o que houve?
 
Voltei a fita-lo para responder, ao mesmo tempo em que ele fez menção de se levantar, provavelmente para me ajudar se eu precisasse, mas eu não era o único bêbado ali. Assim que Satoru se levantou, rápido demais, perdeu o equilíbrio e caiu. Em cima de mim.
Não consegui reagir.  Fechei os olhos quase que no mesmo instante, sentindo o rosto arder um pouco. Vergonha. Merda de hora pra ficar bêbado, hein, Shiroyama! Quando voltei a abrir os olhos, ele me encarava, um pouco constrangido, aparentemente, mas acabou rindo baixo.
 
- Foi mal, Yuu. Acho que passei dos limites na bebida. Anda, vamos levantar.
 
Assim que ele posicionou as mãos ao lado do meu corpo para se levantar, eu o agarrei e selei meus lábios aos dele, não entendendo bem porque eu fazia aquilo. Não parei para pensar. Apenas permiti que a língua dele adentrasse minha boca, correspondendo àquele beijo calmo com um pouco de timidez.
 
 
Current Mood: anxiousanxious
 
 
nana7q
31 October 2011 @ 01:04 pm
Honestamente, esse é um capítulo de passagem do qual eu nem gosto tanto. Mas era necessário para que o assassino começasse com o joguinho, nee? Há muito o que se entender ai...

Ah, sim. "Yama e" seria algo no sentido de ir à montanha.

Boa leitura :3
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THE RAPIST
Capítulo 5
-Yama e 「山へ」-
 
Base do Monte Fuji
20 de Janeiro – 7:00h
 
Era estranho ser a isca. Em todas as operações que já havia participado, nunca havia passado por este papel. Mas sabia que essa era nossa melhor chance. E, afinal, “ele” não teria tido tanto trabalho se, simplesmente, quisesse me matar.
Saindo do local onde a equipe estava instalada, sob disfarces, obviamente, decidi iniciar minha empreitada e subir a montanha. A casa de chá agora me parecia ainda mais reconfortante e aconchegante, e parte de minha mente praticamente berrava para que eu não abandonasse o local. Outra parte da mesma dizia que eu deveria ir em frente para capturar aquele maldito. E outra parte, essa uma parte recém desperta e completamente suprimida por mim, desejava encontra-lo sem escutas e artifícios. Empurrando o que veio logo depois desse pensamento para o fundo de minha mente, continuei a caminhar, com uma câmera semiprofissional em mãos.
Por causa do frio e da neve ainda existente, pouquíssimas pessoas estavam por ali. Aquilo, por si só, facilitava, e muito, o meu trabalho. Mas não tanto ao ponto de me deixar animado. Eu mal sabia o que procurar.
Subi um bom trecho da montanha antes de achar algo interessante. Mais adiante, em uma placa de sinalização, pude ver que havia algo pendurado, com ajuda da lente da câmera. Declarei o fato para a equipe e fui ver o que era mais de perto. Colado na parte de trás estava um bilhete, dobrado. “Para o Detetive Yuu-chan”, era o que dizia o mesmo. Tirei-o da placa e abri.
 
“Se você está lendo, significa que aceitou a gincana. Mas, obviamente, nós dois sabíamos que isso aconteceria.
Suba mais. Não sei se lembra disso, Yuu-chan, mas há três anos houve um assassinato próximo a uma das casas de chá que ficam mais para cima na montanha. Consegue se lembrar do lugar?”
 
A letra, como esperado, era a padrão de qualquer computador. Ele não se entregaria assim, facilmente. Guardei o bilhete no bolso e tirei uma foto da placa onde ele estava afixado, e só então continuei a subir.
 
Monte Fuji
8:27h
 
Após algum tempo de caminhada lenta, para não perder nenhum detalhe, cheguei à casa de chá em questão. Obviamente, eu lembrava sua localização, sendo aquele um dos locais que vários departamentos de polícia investigaram, na época, inclusive o departamento de Hyde, e permanecia sem conclusão. A vítima fora um ator diversas vezes suspeito de estupro e aliciamento de menores, mas sempre fora inocentado por falta de provas. Antes que as suspeitas voltassem a assolar minha mente, sacudi a cabeça e passei a observar o local.
A casa de chá havia falido depois do assassinato, e, desde então, estava fechada e abandonada. Mesmo sem cuidados por anos a fio, ainda permanecia de pé, como uma lembrança do, antes, elegante estabelecimento que fora. Entrei no lugar, repleto de poeira e completamente bagunçado e pichado, pegando a lanterna pequena que levava no bolso do casaco. Nada parecia fora do normal, à primeira vista.
Comecei a vasculhar o local, olhando, primeiramente, as mesas próximas à entrada e o balcão de atendimento. Nada. Muito provavelmente, o que quer que eu estivesse procurando estaria à vista, já que nada parecia revirado. Continuei a investigar, entrando em cada um dos espaços reservados para as mesas. Camisinhas usadas, latas e garrafas de bebida, nada relevante. Mas em uma das mesas ao fundo, outro bilhete, recente.
 
“Foi aqui que começou. Ele veio comigo em um encontro, marcado pela internet através de um site de relacionamentos muito... Nojento. A polícia conhece alguns, mas esse, em especial, mantém um sigilo absurdo e um sistema de segurança muito bem bolado. Ele reúne estupradores de crianças, que trocam suas experiências e dão dicas uns aos outros. No verso está um guia para conseguir acessa-lo. Agradeça-me quando nos encontrarmos.
 
Vá ao banheiro masculino.”
 
Então... O homem era culpado? Como não conseguimos encontrar esse site? E, mais importante, qual era a relevância daquilo? Porque ele contaria algo do gênero? Tirei algumas fotos do local e rumei ao banheiro masculino, conforme o bilhete instruía, guardando o mesmo no bolso, sem olhar seu verso. A perícia e os técnicos se encarregariam daquilo mais tarde.
O banheiro fedia. Anos sem manutenção, muito provavelmente com vândalos usando-o a torto e a direito explicava o fato. Comecei a procurar por outro bilhete, primeiro próximo à pia, mas ali não encontrei nada. Teria que encarar as fétidas cabines. Decidi ir à mais afastada primeiro, que, incrivelmente, estava mais limpa que todas as outras, talvez pelo corpo ter sido encontrado ali. E lá estava mais um pedaço de papel.
 
“Decidi dar a ele um pouco do próprio remédio. Seduzi-lo não foi difícil. Esperamos a casa de chá fechar. Ninguém notou quando entramos aqui às escondidas. E foi exatamente aqui que ele teve o que mereceu.
Deve estar se perguntando por que estou contando isso, não é mesmo? Ora, Yuu-chan, ele simplesmente não merecia viver. Nenhum deles merecia.
 
Topo da montanha.”
 
Ele estava... Fazendo justiça com as próprias mãos? De um jeito psicótico e doentio, aquilo fazia sentido. Minha cabeça começou a fervilhar, e eu sabia que teria de refazer todo o perfil que havíamos traçado para ele. Mas porque ele não havia marcado esse caso como os outros?
 
Topo do Monte Fuji
9:53h
 
Mais algum tempo de caminhada e lá estava eu, no topo da montanha, sem saber, ao certo, o que estava procurando. Talvez um bilhete. Mas se ele havia subido, precisaria descer de algum modo.
 
- Alguém desceu pelas trilhas? – Sussurrei para o pequeno microfone que carregava entre minhas vestes.
- Muita gente, Shiroyama. Fotografamos todas as pessoas para conferir depois. Vê algo aí em cima?
- Por enquanto, nada. Vou dar uma volta.
- Shiroyama. – Ouvi a voz de Anne soar no fone. – Você foi uma vez com a turma da faculdade à montanha. Tem uma foto disso na sua mesa.
- É, eu me lembro.
- Tenho um palpite. Esse maluco não te segue desde a faculdade?
- Já entendi. Estou indo.
 
Segui para o local onde a turma havia tirado a foto, que tinha uma bela vista da paisagem lá em baixo, e logo avistei algo preso a uma pedra grande, ondulando ao tom do vento.
 
“Não posso facilitar tanto, Yuu-chan. Pense em algo mais pessoal.”
 
Pessoal? Eu já havia ido muitas vezes à montanha, muitas delas com amigos. E vasculhar todo o topo sem ajuda seria trabalhoso demais, o que daria a possibilidade de deixar algo escapar.
Mais pessoal... Mais pessoal. O mais pessoal que eu pude lembrar, depois de muito esforço, foi a única vez que levei uma namorada para um passeio à montanha. Mas aquilo havia sido em meu primeiro ano de faculdade. Por via das dúvidas, fui até o local onde havia beijado minha ex. Era relativamente escondido, entre pedras grandes, mas com uma visão privilegiada do movimento local. E ali, entre as pedras, achei algo estranho.
No chão, cunhado em uma pedra chata e larga que parecia ter sido colocada ali, por sua coloração diferente, apesar do musgo que começava a encobrir-lhe, estava o símbolo do assassino que eu buscava. Avisei a equipe e calcei um par de luvas, levantando a pedra em questão. Estava solta, o que só comprovava minha teoria de que era recente. Cunhado do outro lado, vários pequenos buracos dispersos em espiral, arranjados em fileiras, com um ¾ em seu início, junto a uma clave de sol. Uma partitura codificada? Não era muito grande, mas alguém havia passado um bom tempo naquilo para que ficasse marcado na pedra. E, logo na pedra ao lado, mais um bilhete.
 
“Quase ninguém vem aqui. E ninguém pararia para reparar em uma pedra no chão, ao menos não normalmente. Três anos e vocês nunca encontraram, não é mesmo? Que coisa feia, Yuu-chan.
Por favor, avise à sua equipe que fui embora antes mesmo que houvessem se instalado. Da próxima vez, vá desacompanhado.
 
Aliás, feliz aniversário! Quando chegar em casa, um presente te aguarda. Mas não precisa ter medo. É só para comemorar essa data tão especial da sua vida. Espero que goste.
 
Próxima etapa:
‘Nunca me senti tão bem! Essa será a primeira vez de muitas, com toda certeza! Mal dá pra acreditar que eu fui mesmo... Pensei que meus pais me matariam’.
Consegue se lembrar da sensação?
 
Até a próxima vez, Yuu-chan.”

 
 
Current Mood: sleepysleepy
 
 
nana7q
31 October 2011 @ 12:52 pm
Olá, meus amores! Como estão? Feliz Halloween!
Então, eu estava sem internet e bla bla bla. Então hoje vou postar tanto Clone quanto Rapist, okay? :3

FALANDO em Rapist, escrevi uma cena no capítulo 7 pela qual eu me afeiçoei muito xD Mas esperem chegar lá ;D

Agora vamos à Clone.

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-x- Clone Ecstasy -x-
 
Yuu entrou na sala e deparou-se com uma figura magra, cabelos negros, de, aproximadamente sua altura, trajando roupas femininas. A figura observava algo em uma parede oposta à porta, como se analisasse os desenhos que se formavam. Mas quando a figura voltou-se para ele, por mais que tivesse sido preparado para isso por toda sua vida, paralisou.
Aoi olhava-se. Mas algo parecia diferente para ele. Aquele espelho mostrava-o de cabelos compridos, roupas bem masculinas, olhar chocado e confuso. Seria isso uma peça pregada por seu cérebro?
Ambos encaravam-se. Mesmo que Yuu já soubesse da existência de Aoi, não pode evitar o choque. Aoi sacudiu a cabeça, rindo. Aquele deveria ser mais um de seus sonhos eróticos.
Lentamente, ambos aproximaram-se. Aoi analisava cada parte do corpo do outro. Cada parte idêntica à dele. Cada parte, em sua opinião, absolutamente perfeita. Yuu levava as mãos às armas, sacando-as e apontando as mesmas para o demônio.
 
- Aoi, um dos Três Grandes Demônios... - Yuu sussurrava, ainda incrédulo. Sabia que era o clone de Aoi, mas o choque ainda tomava sua mente. - O mais vaidoso e narcisista. Aquele que encontrará seu fim em si próprio.
- Abaixa essas coisas. - Aproximou-se, sorrindo de canto. Aquele homem, ou melhor, a visão de si mesmo o deixava excitado.
- Pra trás, demônio! - Gritou Yuu, fazendo Aoi recuar.
- É, isso não tem cara de sonho... - Pôs as mãos atrás da própria nuca, sorrindo amplamente. - Nos meus sonhos, você já estaria tirando essa sua roupinha sexy. - Yuu cora, abaixando um pouco as armas. - Que gracinha...
- Se afasta! - Ao notar outra aproximação de Aoi, Yuu atira próximo ao pé do outro, fazendo-o recuar. - Eu esperei tanto tempo por essa chance... Tanto tempo para sair das suas sombras e deixar de ser comparado a você.
- Falando assim, até parece que é meu filho... - Aoi ria, mas não tirava os olhos das duas armas apontadas para si.
- Já ouviu falar em clonagem? - Yuu atirou novamente, dessa vez tentando acertar a cabeça do demônio.
- Clone? - Desviando do tiro, Aoi abaixa rapidamente, voltando à posição inicial em seguida. - Então, eles levaram ao pé da letra a profecia? - Ria. Num movimento rápido, aproximou-se de Yuu, mesmo com este atirando. Sacou a própria arma e apontou para o caçador. - Vamos criança. Hora de largar seus brinquedinhos.
- Que profecia é essa? - Sem abaixar as armas, Yuu olhava para Aoi. Parecia ainda mais confuso.
- Então, ninguém te contou? - Aproximava-se do outro lentamente, sorrindo. Aquela situação deixava-o excitado. - Por quantos anos te mantiveram na escuridão?
- Anda, me fala dessa profecia! - Yuu não sabia o motivo, mas seu coração acelerara. Deduziu que seria pela adrenalina do momento.
- Como Gackt está? - Sua voz soava amigável aos ouvidos de Yuu, que abaixava as armas junto ao demônio.
- Por que se preocuparia com ele?
- Porque ele é quase tão sexy quanto você. - As três armas foram ao chão. Aoi segurava Yuu pela cintura, colando os corpos, tomando os lábios do caçador. Em choque, Yuu paralisara, não retribuindo ou afastando o demônio.
 
Sensações estranhas percorriam o corpo do jovem caçador. Seu cérebro estava tomado pela confusão. Nunca beijara ninguém em sua vida - homem ou mulher. E nunca antes pensara que Aoi o beijaria. Para ele, ao vê-lo, Aoi tentaria matá-lo. Achava que Aoi queria ser único. Então, o que ele estava fazendo?
Para Aoi, aquela era a chance de realizar seu sonho. Ele era perfeito. E achava que nunca encontraria um ser bom o suficiente para ele, um ser tão perfeito quanto ele. Mas estava completamente enganado. Ali, em sua frente, com os lábios colados aos seus, estava um ser idêntico a ele. Milagre da tecnologia, claro. Mas, ainda sim, perfeito, como desejava. E não pode deixar de reparar em como o caçador ficava lindo com as bochechas coradas. Por algum motivo, Aoi sabia que aquele era o primeiro beijo do outro. Sentia-se feliz por isso. Só desejava poder prolongar aquele momento.
 
- Aoi, está tudo bem? - Um preocupado Hizaki, seguido de um Miyavi furioso, ambos empunhando suas armas, entraram naquela sala, estacando ao ver aquela cena. Aquele era Aoi... Beijando a ele mesmo? Viram um dos Aois empurrando o outro, de bochechas coradas.
- Vocês tinham que chegar agora? - Aoi ria, indo na direção dos amigos. Yuu abaixara, recuperando suas armas, apontando-as na direção dos demônios.
- O que... O que é isso, Aoi? - Miyavi, assim como Hizaki, estava confuso e ligeiramente atordoado.
- Alguém levou a profecia a sério demais... - Suspirou, voltando o olhar para o caçador. - Ele é meu clone. Isso não é ótimo?
- Aoi, não brinque com essas coisas... - Hizaki abaixou a própria arma, sorrindo docemente para o caçador. - Como se chama, criança?
- M-me chamo Shiroyama... Shiroyama Yuu. - Yuu sentia-se cada vez mais confuso. Aoi havia beijado seus lábios, e agora um demônio elegantemente vestido - provavelmente Hizaki - estava sendo gentil com ele. O que estava acontecendo ali?
- Que interessante. Ele é você, só que mais uke... - Hizaki sorria de canto, olhando para Aoi, que sorria da mesma forma.
- Shiroyama-san, vou pedir que saia do nosso território. Eu sei para que você veio. - Miyavi abaixou a própria arma. - Hoje você não vai conseguir nada.
 
Pouco tempo depois, Yuu estava de volta em seu carro, voltando para a central de sua organização.
 
Dos Três Grandes Demônios, ele é o mais vaidoso.
É aquele que, antes de tudo, admira a si.
É aquele que procura o próprio reflexo.
Pois faça disso, então, sua maior fraqueza.
Tire do espelho o reflexo.
Que será sua destruição, ou a salvação de todos nós.
Com sangue, pode exterminar.
Com um beijo, pode a todos salvar.
O fim de uma guerra, ou o fim de tudo.
Alma de anjo, corpo de demônio.
(Profecia feita por Gackt e Hizaki após a Grande Trégua ser feita.)
 
-x- Clone Ecstasy -x-
 
- Mestre Gackt! - Entrei no prédio de concreto onde a sede ficava. Mestre Gackt tinha que estar ali! Preciso perguntar-lhe sobre essa maldita profecia. Preciso saber porque não consegui me concentrar perto dele, porque ele havia... - Mestre Gackt, onde o senhor está? - Corria pelo estabelecimento, procurando meu Mestre. Haviam alguns poucos caçadores ali, acompanhados de alguns anjos. Mas nem sinal de meu Mestre.
- Yuu, acalme-se. - Uma voz, ao longe, dirigiu-se a mim. Olhei, tentando ver seu dono, mas era desnecessário. Já conhecia aquela voz.
- Mestre Uruha? O que faz aqui? - Sorri ao ver o rosto daquele anjo, há muito tempo não o via. Mestre Uruha, um dos Três Grandes, que ajudou Mestre Gackt a me... Criar.
- Perguntas depois, criança. - Sorria, aquele sorriso cálido que emanava paz. - Parece perturbado.
- Encontrei Aoi. - Suspirei. Não queria parecer impressionado ou... Ou coisa do tipo. - Que profecia é essa que nunca me contaram, Mestre?
- Ah, Yuu... - Mestre Uruha veio até mim, abraçando-me. - Venha comigo, vou contar a você do que se trata.
 
Segui Mestre Uruha até a sala de reuniões dos Três Grandes. A porta foi fechada.
 
Cante o que não pode dizer.
 
-x- Clone Ecstasy -x-
 
- Clones... - Tomei um gole daquela bebida de cor âmbar, ainda sorrindo. - Que ideia genial! Como nunca pensei nisso?
- Claro que pensou. - Hizaki suspirou, tomando um gole de seu drink azul bebê. - Por isso, a profecia foi criada nesses termos.
- Hn... Faz sentido. - Ri baixo. - Onde está Miyavi?
- Ele foi pedir que alguém restaure aquela sala. - Sorriu brevemente. - Gosto muito dela, mesmo que não seja a mais bonita.
- Só mesmo você, Hiza-chan...
 
Continuamos a beber e conversar, até o retorno de Miyavi. Aí fui deixado sozinho, já que ambos dirigiram-se à pista de dança, sumindo de minhas vistas. Mas, agora, isso pouco me importava. Ignorei o pedido de ambos para ir até a pista juntamente a eles.
Aquela cena na sala negra não saia de minha cabeça. Ver a mim mesmo, ou melhor, aquele caçador chamado Yuu, parado, apontando aquelas armas para mim... Ver aquele belo rosto corado pelo contato de nossos lábios... Ele era perfeito. Perfeito para mim.
 
Será que o fim se daria por aquelas mãos?
 
-x- Clone Ecstasy -x-
 
 
Current Mood: sleepysleepy
 
 
nana7q
23 September 2011 @ 09:00 pm
Olá, meus pequenos gafanhotos! Como estão? :3
Então, eu to meio sem tempo para escrever The Rapist. Provas e trabalhos loucos na faculdade dão nisso... Mas não importa. Vou mante-los ocupados com mais um capítulo de Clone pra compensar, que tal? :3
Então tá, boa leitura ;*



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-xClone Ecstasy -x-
 
Meu telefone tocou. Olhei a pequena tela do mesmo, logo reconhecendo o número. A central só ligava em casos especiais, e era proibido manter o número em aparelhos eletrônicos.
 
- Shiroyama Yuu, terceira ordem. - Ouvi alguns bips do outro lado da linha. Reconhecimento de voz e de texto – se bem que, no caso da voz, isso não ajudaria muito.
- Yuu, onde vocês estão? - Owl¹, um anjo mensageiro que colaborava conosco, falava exasperado do outro lado da linha. Era estranho ligarem pedindo nossa localização.
- Seguindo conforme programado. Aconteceu alguma coisa, Owl-san?
- Não consigo contactar os outros. Parece que Aoi pisou em solo japonês outra vez.
- Como sabe disso? Não é alarme falso outra vez?
- Não. Dessa vez o informante trouxe fotos.
 
Trocamos mais algumas informações e encerramos a ligação. Aoi estava no Japão, em Tokyo. Tudo o que eu precisava fazer era encontrá-lo e matá-lo.
Quem sabe eu não consiga informações naquela boate? Muitos demônios influentes frequentavam o local. Aoi ainda devia ter algum contato.
 
A balança sempre deve pender para um lado. O equilíbrio é ilusório, ou temporário.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
As fortes luzes em neon destacavam a boate das demais construções. Ainda preservava o mesmo nome do centro de convenções - Venere -, mas a estrutura era totalmente diferente. Construído em estilo gótico, porém colorido em cores vivas e fortes, luzes em neon contornando sua entrada e as partes superiores. Na entrada, uma longa fila de pessoas e quatro seguranças que permitiam a entrada de convidados e pagantes.
Parei o carro que havia alugado em frente ao lugar, entregando a chave a um dos manobristas. Não haveria problemas caso ele tentasse roubar o carro - para isso uso identidades falsas. Passei por todas aquelas pessoas que esperavam na fila e encarei um dos seguranças, que lançou um olhar estranho para mim, avaliando-me de cima a baixo.
Talvez ele estranhasse um homem vestido como eu estava – uma saia feita de retalhos por cima de uma calça skinny, uma blusa folgada, de magas compridas, cheia de correntes. Mas isso seria um absurdo, já que trabalhava para Hizaki e Miyavi.
 
- Nome? - Segurava uma prancheta digital, pronto para digitar o que quer que eu dissesse. Seria fácil matá-lo ali mesmo e entrar, ou entrar pelos fundos se ser percebido, mas acho que Hizaki não iria gostar nenhum pouco.
- Aoi, convidado de Hizaki e Miyavi. - Podia rir só com a expressão do rosto do homem. Digitou meu nome na tela digital, provavelmente de todas as maneiras possíveis. Só queria saber porque tanta demora. O kanji² que uso deve ser óbvio, principalmente por que eu vestia roupas femininas. - Problemas? - Ri baixo, constrangendo o homem.
- Aoi-san... - Pigarreou, clareando a garganta e voltando ao tom normal. - Hizaki-sama o espera. Elinne o levará até ele.
 
Segui a mulher pela boate, com o segurança em nosso encalço. Não sei porque, mas tinha a impressão de que não confiavam em mim.
 
Aqueles que vivem no submundo nunca são cautelosos o suficiente. Acredite.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Estacionei o carro ligeiramente afastado do Venere, a boate que investigaria aquela noite. Era uma boate bem frequentada, controlada por dois demônios poderosos e influentes que, notoriamente, eram companheiros de Aoi desde que se tem conhecimento. Havia um “acordo de paz” entre eles e nossa Ordem. Acordo esse extremamente frágil. Parei, então, por alguns minutos, pensando em alguma maneira de entrar sem ser notado.
Talvez eu pudesse entrar me passando por aquele que mais odeio neste mundo. Talvez... Mas só uma possibilidade.  Naquela hora, a ideia pareceu-me genial. Na verdade, ela realmente era. Só haviam muitas falhas nesse plano simples. A maior delas seria o fato de que eu não sabia como Aoi agia ou se vestia. Olhei bem para minhas roupas: vestia uma calça jeans escura e larga, uma blusa negra por debaixo de uma camisa de tela vermelha, coturnos negros e um sobretudo de couro. Meus cabelos, longos, eram parcialmente presos. Usava maquiagem leve, marcando somente os olhos. Esperava que isso fosse o suficiente para enganá-los.
Aproximei-me da entrada, passando por todas aquelas pessoas que esperavam por sua vez, dirigindo-me aos seguranças que ali estavam. Engraçado, jurava que haveria mais um, como constava em relatórios.
 
- Nome? - Um dos seguranças aproximou-se, segurando uma daquelas telas portáteis touch screen.
- Aoi. - Simples, direto. Encarava o homem com a expressão o mais fechada possível. Ele apressou-se em procurar.
- Convidado de Hizaki-sama, certo? - Assenti com a cabeça. - Ele te aguarda. Mellie irá levá-lo a ele.
 
Segui a jovem, sem deixar de notar que o mesmo segurança seguia-nos pelo local. Isso era um problema em potencial. Mas, agora, o importante era manter as aparências.
 
Confie em seus instintos e desafie seu destino.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Fui levado a uma sala com paredes cobertas com um papel de parede negro, com detalhes em cinza-chumbo ao estilo vitoriano, com dois sofás muito bonitos, também negros, mas com detalhes em vermelho. O teto, do mesmo cinza-chumbo dos detalhes da parede, sustentava um lustre que iluminava a sala com uma luz avermelhada, e o chão era de carpete num belo tom carmesim. Sofisticado, impactante. A cara de Hizaki. Milênios poderiam se passar, mas seus gostos nunca mudariam. Se bem que o toque de impacto poderia ser ideia de Miyavi. Os dois formavam um casal perfeito, equilibrado, e muito estranho.
Lá, fiquei pensando sobre o vento esquisito que passou por mim aquele mesmo dia. Estranhamente, pensar nisso fez-me viajar em minhas memórias, vagar pelo mundo das recordações até séculos atrás. Guerra era a palavra de ordem. Anjos eram minha maior preocupação, meus inimigos mortais.
Até hoje, não consigo esquecê-lo. Aqueles cabelos loiros que assentavam perfeitamente em seu rosto, olhos azuis³ que transmitiam a pureza de sua origem, pele alva, sorriso encantador. Dos Três Grandes Anjos, Gackt era aquele que mais se aproximava da... Perfeição. Poderia ter acabado com aquela guerra, ter evitado mortes desnecessárias... Mas ele não era perfeito. Ele não sabia como me excitar, era puro demais para provocar da maneira que eu gostaria. Só isso o afastava de ser perfeito. Só isso cansa fácil. Pela imperfeição dele, a guerra continuou. Dos grandes, sobraram os Três Grandes Anjos e os Três Grandes Demônios.
Quando me afastei de meus companheiros em busca de um ser perfeito, soube que os Grandes Anjos também separariam-se em breve. Talvez temessem uma nova Grande Guerra e buscassem novos recrutas, novos guerreiros celestiais. Talvez estivessem tão cansados de imperfeições quanto eu estava. Talvez.
Talvez a cara de espanto daquela garota também quisesse dizer algo. Mas só talvez.
 
Anjos, puros? Se nem em sua inocência acredito...
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Fui levado a uma porta negra. Antes que pudesse entrar onde quer que fosse, Mellie entrou, demorando-se apenas alguns segundos. Sua expressão, ao voltar, era ilegível. Chamou, por celular, alguém que não pude identificar, e pediu para que eu aguardasse.
Uma segunda mulher, idêntica à primeira, saiu pela porta negra e, ao me ver, ficou chocada. Veio até mim, hesitante, e curvou-se levemente.
 
- Olá. Elinne, às ordens. - Sorria docemente, apesar de estar chocada. E isso me incomodava. - Quem é você?
- Aoi. - Respondi, simplista, dando de ombros.
- Ah, claro. - Suspirou e falou algo pelo celular. - Venha, entre na sala. - Abriu a porta e deu espaço para que entrasse.
 
Só não imaginava que o motivo de choque de ambas seria, também, o meu.
 
Eu acredito na beleza do Caos.
 
-xClone Ecstasy -x-

 
 
Current Mood: lethargiclethargic
 
 
nana7q
13 September 2011 @ 06:58 am
E ai, gente? Sentiram minha falta? #trollface São praticamente 7h da manhã e eu estou aqui postando antes de ir pra faculdade.
Esses dias têm sido uma loucura MUITO grande, com o show do X e tudo mais... Mas não vim falar disso q

Vim falar que, finalmente, tomei vergonha na cara e revisei Clone pra poder postar aqui, YAY
Então esse é o primeiro post. Resolvi não mexer no jeito que eu escrevi, só corrigi MUITAS coisas, erros de digitação, no caso. Está quase tudo como no original.
No caso, The Rapist tem uma forma de escrita bem mais aprimorada, mas não tive coragem de mexer muito em Clone.

Então pega a pipoca e vem comigo nessa história muito louca qqqqq


Read more... )
-xClone Ecstasy -x-
 
Eu estava cansado de tudo e de todos. Ninguém conseguia me compreender. Há anos - ou melhor, séculos - eu vivo neste mundo apenas para o prazer. Sim, séculos. Um ser de vida eterna... Mas eu estava cansado desta vida. Simplesmente cansado. Viajar e conhecer novos lugares tornara-se cansativo, as pessoas não me interessavam mais... Claro, nunca encontrei alguém bom o suficiente.
Para que?”, você deve estar se perguntando. Amor é a palavra que me persegue. Estranho ouvir um demônio falando sobre amor? É, acho que se enganou. Demônios também sentem. Mas acho que “amor” é uma palavra muito forte. Eu queria mesmo era uma boa foda com alguém bonito, que soubesse me excitar apenas com gestos. Alguém... Alguém como eu.
Narcisismo? Talvez. Mas eu realmente sou perfeito. Meus lábios, meu sorriso, meu rebolado... Cada parte do meu corpo provocava a todos ao meu redor. Tudo o que eu fazia era tirar proveito. Ainda sim, nenhum deles jamais fora capaz de me satisfazer.
Eu sobrevivia da adrenalina de caçar e ser caçado. Satisfazia meus desejos nada castos com os homens mais bonitos que podia encontrar. Esbanjava o dinheiro acumulado pelos séculos vividos.
 
Nada era capaz de me satisfazer por completo.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Aberração. Era assim que eu me sentia. Meus companheiros olhavam para mim com o ódio que desejariam direcionar para ele. Impossível não se sentir uma aberração quando se tem o mesmo DNA de um demônio. Aoi, para ser mais preciso.
Essa foi uma das “brilhantes” ideias do meu mestre, conhecido por todos como Gackt. Disse que se há alguém que consiga enganar aquele demônio, esse alguém seria ele mesmo. Parecia uma boa ideia na época para todos os conselheiros.
Sim, naquela época. Mestre Gackt era um anjo, um enviado dos Céus para combater os demônios da Terra. Apenas os anjos, de toda a ordem, tratavam-me normalmente. O restante parecia não notar que eu era completamente diferente de um demônio.
Mas não podia culpá-los. Todos crescemos ouvindo histórias de demônios famosos. Alguns já foram mortos pelas nossas mãos. Mas outros, como Aoi, ainda persistiam, tomando muitas vidas de nossa ordem. Eu mesmo chegava a abominar meu rosto, algumas vezes. O rosto de um demônio.
 
- Sua alma é a de um anjo, criança. Não deveria se preocupar com os outros. Apenas têm medo. - Mestre Gackt apoiava sua mão em meu ombro, sorrindo docemente. Sempre que alguém me tratava mal, chamando-me de demônio, ele vinha a meu auxilio e confortava-me.
 
Apesar disso, sabia que desejava que fosse mais parecido com o original. Minha função nesse mundo era atrair Aoi para a morte. Aquele demônio narcisista se interessaria por ele mesmo se tivesse a oportunidade. E eu era essa oportunidade.
Sairíamos para a caça aquela noite, então fui arrumar meu material. Embora minha missão fosse Aoi, não era impedido de participar de outras.
 
Tudo o que eu quero é deixar de ser comparado com Aoi.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Há quanto tempo não vou à Tokyo? Creio que desde o grande acordo entre Anjos e Demônios, a grande trégua que havia sido estabelecida após muito sofrimento, tanto dos Humanos quanto entre nós. Saudade... Sinto saudades daquela cidade. Como será que está agora, tanto tempo depois?
Tokyo é o centro tecnológico do planeta. Agora as pessoas são mais liberais. Mas, também, mais fúteis. Deliciosamente mais fácil de fazer uma vítima...
Dirigi-me para lá assim que tive chance. Curiosamente, tenho sido mais procurado nos últimos anos que se juntar as perseguições dos séculos passados. Esses malditos estão ficando mais espertos. Há boatos que anjos desceram novamente a terra para ajudá-los, como há alguns séculos atrás.
Mas será que eles não podem me deixar em paz? Convenhamos, até que eu sou um demônio bonzinho. Pelo menos tenho sido nos últimos séculos. Há outros muito piores que eu. Há humanos piores que eu. Parei com as chacinas há algum tempo. Tudo o que eu quero é encontrar o ser perfeito que domina minha cabeça. Tudo o que quero é encontrar alguém como eu.
Já tive sonhos em que olhava para um espelho, admirando-me. Mas o espelho não repetia meus movimentos. Ai o reflexo saia, tomava meus lábios... Nem preciso dizer o que seguia.
Peguei um avião e fui direto para Tokyo. Algo em meu íntimo dizia que lá o destino me felicitaria e eu encontraria o que tanto procuro. Mas acredito que encontrarei mais caçadores, apenas.
 
A perfeição se esconde num mundo caótico.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Ao sair do prédio de concreto, um vento soprou meu rosto. Estranhamente, senti que minha vida mudaria aquela noite. Ri de minha ingenuidade. Minha vida seria a mesma até que morresse ou até que Aoi fosse morto. Desse modo, não seria mais comparado com aquele demônio. E, quem sabe, deixaria de odiar meu próprio rosto.
Munidos de coragem e as armas certas, dividimo-nos em dois grupos: um faria a patrulha, o outro faria a caça dos alvos da noite. Fiquei com o grupo da patrulha. Nos separamos, em busca de anormalidades, em pequenos grupos. Mas eu fui sozinho, claro. Eram poucos aqueles que ficavam em minha presença por muito tempo. Pensavam que, por ser clone de um demônio, mudaria de lado e os mataria traiçoeiramente. Óbvio que não o faria. Fomos criados juntos, e, por mais que sentissem aversão a mim, eu nunca os faria mal.
Entrei em meu carro, liguei o som no máximo e passei a dirigir a esmo pela cidade. Agir displicentemente era uma boa maneira de atrair demônios. Fora que meu rosto dava-me certa vantagem. O rosto de um demônio para ludibriar meus inimigos. Perfeito.
A noite estava calma, como muitas outras. Demônios eram espertos o suficiente para evitarem áreas abertas sem muita gente. Preferiam atuar em aglomerações, onde passariam despercebidos. Boates, parques... Um prato cheio para eles.
Resolvi ir a uma das boates mais conhecidas e bem frequentadas da cidade. Território de demônios, claro. Estava precisando mesmo de um pouco de adrenalina. Que maneira melhor de conseguir que infiltrar-se em território inimigo?
 
Esse rosto é o que mais odeio. E o que mais me ajuda.
 
-xClone Ecstasy -x-
 
Ah, a noite de Tokyo. Agradável, como sempre. A cidade não mudara muito, no fim das contas. Mas era ótimo estar em casa. Um vento quente soprou meu rosto, e eu senti um arrepio gostoso.
Saquei meu telefone, discando um número que, há muito, não usava. Ainda mantinha tudo o que precisava em sua memória.
 
- Moshi moshi? - A voz de meu velho amigo veio do outro lado da linha, com uma música eletrônica forte ao fundo.
- Hizaki-chan... Aoi desu.
- Aoi? - Deu um grito do outro lado da linha e chamou por alguém. - Aoi, seu bastardo! Onde você andou nesses anos? - Não pude deixar de rir.
- É assim que você trata um velho amigo, Hiza-chan?
- Ahn... - Sabia que ele corava do outro lado da linha. - Sentimos sua falta... Agora responde, cachorro!
- Estive por ai, sabe? - Soltei outra risada, não podendo me conter.
- Aoi, seu bastardo! - A voz de Miyavi, a “lagartixa colorida” que tanto se parecia comigo, gritou pelo telefone. - Some desse jeito outra vez que eu juro que contrato um caçador pra arrancar sua pele!
- Calma Myv... - Continuei a rir. Já devia saber que estariam preocupados comigo. Fui embora sem avisar nee... - Cara, que barulhão. Onde vocês estão?
- Lembra o antigo centro de convenções? - A voz de Hizaki veio dessa vez, contendo o riso. Provavelmente pela exaltação de Miyavi.
- Lembro sim.
- Então... Agora é uma boate. - Boate? As coisas realmente mudaram, então... - Vem pra cá, vou por seu nome na lista.
- Claro, chego ai daqui há pouco.
 
O mundo está em constante mudança.
 
-xClone Ecstasy -x-

 
 
Current Mood: sleepysleepy
 
 
nana7q
24 August 2011 @ 05:11 pm
:3  
Olá gente o/


Pois bem, antes de postar qualquer outro capítulo de qualquer outra coisa, tenho que falar uma coisa que me deixou muito, mas muito feliz :3 Esses dias, no Twitter (@nanachou7q, sigam q), uma menina estava falando que estava com saudades de Clone Ecstasy, uma fic minha que estava postada no Nyah, e, então, foi deletada. Vou repostar essa fic aqui em breve, assim que terminar de corrigir alguns pequenos erros que há na mesma. Admito que sou bem desatenta, e na primeira postagem muitas coisas passaram despercebidas por mim. Mas agora eu reli, e putz...
Já estou corrigindo, mas preciso de um pouco de tempo para isso. Quanto à The Rapist, estagnei de novo em outra parte e não sei como vou fazer os próximos capítulos, mas vou conseguir continuar. Eu já demoro pra tudo mesmo... Ah, sim. E aos meus leitores mais antigos, que acompanhavam Matsumoto... Essa fic eu vou deixar um pouco para depois, porque ela demanda um planejamento grande, e eu realmente não estou com muito tempo. Além disso, About:Blank toma todo o restante de tempo possível.


Ah sim. Para quem não sabe, About:Blank é um projeto meu, da @malice_loly e da Suna, com participação da Mah, do Alexos e de muitas outras pessoas que não sabe que estão sendo usadas pra isso. q É um grande projeto com uma história complicada, um mundo novo inteiro a ser descoberto. Acompanhem as postagens no site (link acima) da história, e eu garanto muitas surpresas, riso e lágrimas.



Depois de vender meu peixe q, é hora de acabar o post. Não devo demorar a voltar aqui com alguma one shot, ou algum capítulo de longfic. Enquanto isso, vou abusar da paciência de vocês. Beijos, me liguem q
 
 
Current Mood: boredbored
 
 
nana7q
10 August 2011 @ 06:51 pm

THE RAPIST

Capítulo 4

-Evidência-

 

Residência Shiroyama

17 de Janeiro – 23:41h

 

Cheguei em casa e fui direto para o banho, meu humor quase totalmente reestabelecido. De fato, era um alívio poder conversar tranquilamente depois de um fato desses. Distrair a mente era... Reconfortante.

Foi o que eu resolvi fazer, por um tempo – me distrair. Nem lembrava há quanto tempo eu não usava meu vídeo game, mas aquela era uma ótima hora para tirar a poeira dele.

 

18 de Janeiro – 01:14h

 

Com certeza, jogos de tiro são relaxantes. Mas jogar sozinho era entediante. Desviei, então, minha atenção para a caixa que havia recebido. Peguei-a novamente, me sentando no sofá com a mesma diante de mim. Era um pouco pesada. Sem identificações, sem remetente ou destinatário, uma caixa de papelão, simples, fechada com aquelas fitas grossas para lacrar embalagens do tipo. Alguém havia a largado ali sem intermediários, provavelmente.

Com a ajuda de uma faca, abri a caixa, tomando cuidado para não estragar seu conteúdo. Num primeiro olhar, apenas uma camada de flocos de isopor. Coloquei as mãos em seu interior, atingindo algo duro no fundo. Puxei aquilo para fora, tendo em mãos, agora, a maior parte do peso da caixa, um baú de madeira esculpida e envernizada, devidamente trancada. Deixei-o no chão, sacodindo as mãos por me ver livre do peso, e passei a procurar em seu interior, a chave devia estar ali. Mas tudo o que encontrei foi um rolo de papel, como se fosse um pergaminho, lacrado com cera de vela. Rompi o lacre.

 

“Caro detetive Yuu-chan,

Mando este baú para que, num futuro próximo, consiga entender tudo o que pretendo. Não é de minha vontade te deixar confuso, não mesmo. Apenas desejo que tenha paciência.

Imagino que tenha ficado confuso com minha mensagem anterior. 24 vítimas é um número superior aos que conhecem, estou certo? A polícia e a mídia sabem, apenas, de metade.

Claro, sei que está afastado da policia para que se recupere, mas ambos sabemos, Yuu-chan, que você não precisa se recuperar. Sua mente está mais ativa que nunca, estou enganado? Portanto, proponho uma gincana, só entre nós dois.

‘A Oeste, um gigante adormecido jaz, pacífico’. Vá a este lugar, no dia do seu aniversário, sozinho, às duas da tarde. E não se preocupe, não pretendo mata-lo. Caso contrário, não estaria lendo esta carta, certo?

E não tente quebrar ou arrombar o baú, pode danificar o conteúdo.

Até nosso próximo contato,

 

Deus da Música.

 

P.S.: Na dúvida, sempre o de maior fama.”

 

Imediatamente, tirei o celular do bolso, checando a data. Meu aniversário seria dali há alguns dias. Como encontraria o tal lugar tão rápido? Pior era estar, realmente, cogitando fazer isso sozinho. Poderia ser uma armadilha. Mas, obviamente, ele estava certo. Se quisesse me matar, teria feito naquele dia.

Uma gincana. Canalha bastardo, é o que ele é. Primeiro faz... aquilo comigo e, depois, uma gincana? Quase impossível saber o que o canalha queria. Mas aquilo tudo me intrigava demais. Realmente, a polícia conhecia exatos 12 casos do “Deus da Música”, além do meu, claro. Mas se ele marcava cada cena e deixava uma música de fundo, como não haviam descoberto as outras 12 vítimas?

Talvez... Talvez só parte de seu modus operanti tenha sido descoberto! Isso explicaria muita coisa sobre essa declaração, mas trazia um problema em potencial. Como descobrir, em meio a tantas vítimas de estupro seguido de assassinato, aqueles que haviam sido mortos por ele? Se pudéssemos saber, poderíamos obter novas pistas e, por fim, encerrar o caso!

Aceitaria seguir com a gincana, mas não totalmente de acordo com aquele maluco. Avisaria a polícia antes, obviamente.

 

Departamento de Polícia Japonesa – Unidade de Crimes Seriais

10:25h

 

- Anne-san! O Shiroyama...

- Não precisa me anunciar. Anne-san, podemos conversar?

- Certo. Saia e feche a porta, Takada. – Esperamos que o homem a obedecesse, enquanto eu me acomodava na cadeira diante de sua mesa, com a caixa que havia recebido no colo. A dor já havia passado. – Pensei que havia dito para não vir trabalhar, Shiroyama.

- É, eu sei. Mas parece que ele não quer.

- “Ele”?

- É, o cara que me estuprou. Recebi isso... – Tirei de dentro da caixa o dvd, colocando sobre a mesa. – E essa caixa. Tem um baú dentro, não consigo abri-lo, e ele diz na carta que se tentar arrombar ou quebrar, vai danificar o conteúdo.

- O que são essas coisas, Shiroyama?

- Sei lá, o dvd estava no aparelho de som do meu carro desde aquele dia, e o baú com a carta chegaram ontem.

 

Li a carta em voz alta, enquanto ela me encarava, franzindo o cenho, certamente preocupada. Ao fim, ela apenas acenou com a cabeça.

 

- Manteremos o baú aqui, então, no isolamento antibombas. Ninguém vai mexer nele, eu garanto. Vamos mandar analisar o dvd, e a carta... impressa, certo? – Assenti. – Vamos analisar o tipo de tinta usada e a forma de escrita. Não deve ajudar muito por hora, mas nunca se sabe.

- E quanto ao dia 20...

- Não posso te deixar ir sozinho. Mas também não podemos deixar claro que não estará sozinho. Uma câmera oculta em suas roupas, um localizador GPS potente, e uma equipe em helicópteros pronta para agir. Devem bastar. Claro, ainda precisamos descobrir o local. Por enquanto, descanse. E pelo amor de qualquer coisa que você acredite, Shiroyama, vá ao maldito terapeuta.

- Certo... Como você sabe que eu não me consultei ainda?

- Eles tem que me mandar um relatório. Não fala detalhes, mas diz se você está melhorando ou não. E eu não recebi relatório nenhum.

- Tá, eu vou falar com o Sato-san. – Cocei a nuca, um pouco sem jeito.

- “Sato-san”, é? Já se conhecem?

- Longa história...

 

Hospital Geral de Tokyo

12:43h

 

- Pronto, Aoi, eles já foram.

- Tem certeza, Hyde?

- Porra, se eu to dizendo é porque não tem mais nenhum maldito repórter.

 

Suspirando aliviado, sai do armário de vassouras onde estava escondido, enquanto Hyde ria descaradamente da minha cara. Olhei feio para ele, mas não adiantou.

 

- Eu devia socar a sua cara até que você tivesse que ser hospitalizado, assim faria companhia pra sua mãe sem se esforçar.

- Ihh... Não sei pra que tanto estresse, Aoi. Eles só querem saber mais, como em qualquer caso. E esse é um caso famoso, nee?

- Mas eles não podem saber, porra. Se alguém fala algo sobre como anda a investigação, vaza pro maldito estuprador e nunca vamos pega-lo.

- Então? Isso me cheira a novidades.

- É... E das boas.

 

Contei rapidamente sobre a caixa que havia recebido, já que ele já sabia do DVD. Depois, do plano de ação que Anne-san havia improvisado. Obviamente, não poderia deixar nada daquilo vazar. Causaria pânico na população saber que o número de vítimas era o dobro do atual conhecido, e faria com que o criminoso se antecipasse. Mas tudo bem contar para alguém da polícia, também. E, além disso, meu melhor amigo estava preocupado.

 

- Você tá doido de ir ao encontro do maníaco só porque ele te desafiou em uma carta...

- Se eu não fizer, não vamos ter outra chance! Precisamos prender esse imbecil.

- Sei... Ah, depois eu vou falar com os caras da minha divisão. Ver se tem algum caso que envolva estupro e assassinato, música e essas coisas. Doze assassinatos não podem ter passado despercebidos.

- E sua mãe, como é que tá?

- Melhorando, mas não foge do assunto, porra. Se você pretende levar isso a diante, tem que descobrir o lugar.

- Ah, isso cansa um pouco... Não faço a mínima ideia. Pesquisei no Google, de todas as maneiras possíveis. Mas as referências são muito vagas.

- E a dica do P.S?

- “O de maior fama”? Também não ajudou muito.

 

Ambos suspiramos, juntos, e ficamos um certo tempo em silêncio, divagando em nossas próprias mentes. Eu sabia que, apesar de já estar difícil agora, essa seria uma das charadas mais simples.

 

- Ah! Isso é uma merda, sério.

- Tão cedo e já desistiu de pensar?­ – Ri alto, recebendo um tapa no braço.

- Devíamos ir a algum lugar diferente, ajuda a pensar. Hospital e suas paredes brancas só me deixam com tédio.

- E tem algum lugar em mente?

- Um amigo me convidou pra ir numa exposição de artes. Quer ir comigo? Podemos perguntar a um dos artistas se sabem ao que a frase se refere. Pode ser alguma coisa de um livro, ou sei lá. Não custa tentar.

- E quando é a exposição?

- É amanhã, 18h. Passo na sua casa e vamos juntos, que tal?

- Mal não vai fazer. – Dei de ombros. – Mas duvido que alguém lá vá esfregar uma pista na minha cara.

 

Residência Shiroyama

19 de Janeiro – 16:02h

 

Oficialmente estando de folga, eu não tinha a obrigação de aparecer no escritório. Então acordei tarde e fiquei jogando vídeo game até que a fome aparecesse. Há muito tempo não me permitia um dia sem regras e, definitivamente, estava precisando.

Cozinhei uma coisa prática e comecei a comer, sem pressa, enquanto procurava algo decente na tv. Zapeando os canais, acabei deparando-me com um daqueles programas de fofoca feitos para donas de casa. Mal daria atenção a isso, obviamente, se o tema da vez não fosse o “deus da música” e... Eu.

Tente imaginar a minha surpresa e indignação suprema ao ler as letras estampadas na tela. “Detetive Shiroyama e Deus da Música – Uma história de amor?”. Tive de contar até sabe-se lá quanto para não quebrar a minha tv com o controle remoto. Passei o canal, indignado, xingando a apresentadora de tudo quanto era nome. Lembrarei de processar o programa.

Acabei por desligar a tv e terminar de comer em silêncio. Deixei a louça suja na pia, para lavar mais tarde, e fui tomar um banho bem demorado para relaxar os músculos.

 

Academia de Belas Artes de Tokyo

18:15h

 

- Hyde, pela milionésima vez, eu sei onde fica a Academia, foi você quem demorou pra caralho pra chegar na minha casa.

- Porra, Aoi, porra! Já estamos atrasados.

- Ihh... Vai dizer que esse amigo que te convidou é seu próximo alvo?

- E se for? Tem alguma coisa contra?

- Não, eu nada. Mas se você não se acalmar vai acabar parindo o filho que é incapaz de gerar, Takarai.

- Seu viado enrustido, eu devia te...

- Cala a boca, já chegamos.

 

Soltei uma das mãos do volante para apontar para a construção à frente. Era um belo prédio, uma mistura de arquitetura tradicional asiática com construções modernas do ocidente, deixando aquela sensação de choque temporal, mas não de uma forma desagradável.

Estacionei meu carro próximo às dezenas de outros que lá estavam, saindo do mesmo e travando o alarme assim que meu amigo esquentadinho saiu pela outra porta. Com as mãos nos bolsos, fui andando atrás do gnomo de jardim, com uma vontade imensa de rir de toda aquela afobação dele. Apesar do jeito marrento, ele conseguia parecer com uma colegial, às vezes. Na entrada da área onde seria a exposição, pegamos uns folhetos, e, enquanto eu dava uma olhada nos mesmos como qualquer pessoa normal faria, Hyde já procurava o tal amigo como um animal no cio. E depois eu sou o pervertido.

A exposição era sobre o Japão, mas, apesar do tema ser o mais usado em todos os tempos nesse país, as obras ali apresentadas pareciam bem interessantes. Deixando o Hyde de lado, iniciei meu tour pelo salão, para olhar melhor cada obra. Enquanto olhava, distraído, acabava esquecendo o resto do mundo.

A arte é o alimento da alma. E também sua forma de expressão. Se uma obra consegue exprimir o âmago da alma, então essa obra é digna de ser admirada. E respeitada. As obras ali expostas estavam nesse caminho, com toda certeza. Com um sorriso, me perdi em pensamentos, imaginando se, algum dia, um daqueles artistas conseguiria expressar-se totalmente. Por causa disso, acabei esbarrando em uma pessoa, e ambos caímos no chão.

 

- Droga! Me desculpe, eu não estava prestando atenção. – Falei rapidamente, sem nem olhar quem era o corpo acima do meu, instintivamente fechando os olhos e me encolhendo, as memórias da noite do estupro assolando minha memória.

- Não precisa se desculpar, também não estava olhando. – Senti o peso da pessoa sair de cima de mim, e suspirei, aliviadíssimo. Só então reparando nos olhos falsamente azuis e nos cabelos castanhos. Em seguida, observei aquelas bochechas cheias frisarem-se em um sorriso. – Yuu-san! Não sabia que estaria aqui hoje.

- Sato-san! – Falei, tentando não exprimir o medo que havia experimentado há pouco, mesmo sabendo que ele notaria. Merda, eu fico parecendo um passivo desse jeito. – Eu... Eu não sabia da exposição, meu amigo que me chamou. E você, o que faz aqui?

- Ensino psicologia aqui na Academia, então me convidaram. – Ele sorria ainda, estendendo a mão para me ajudar a levantar. Hesitante, aceitei a ajuda.

- Psicologia numa academia de Belas Artes?

- É, sabe... A arte de mexer com as mentes das pessoas. – Riu-se. – Já que estamos aqui, vamos dar uma olhada nas obras? Conversando não devemos atropelar ninguém, não é mesmo?

 

Recomeçamos a andar, então, enquanto falávamos sobre cada obra apresentada, fazendo comentários e rindo das teorias um do outro. Enquanto ele tentava adivinhar o que a obra queria dizer, eu tentava traçar um perfil do autor a partir disso, e assim íamos nos divertindo.

Mas uma obra específica me chamou a atenção enquanto andávamos. Ignorei as outras que vinham antes, andando até um conjunto de pinturas abstratas que formavam a imagem do Monte Fuji. Fixei o olhar naquilo, pensando. Porque aquilo me chamava tanto a atenção? Olhei para trás e o Sato vinha em minha direção, olhando-me com curiosidade. Dei as costas a ele novamente e fiquei encarando a obra.

Olhando mais atentamente, pude encontrar algumas palavras perdidas em meio à obra, o que antes eu achava ser pessoas desenhadas ao longe. Fui juntando uma a uma, e não pude evitar de repeti-las, em voz baixa, num sussurro assustado.

 

- “Monte Fuji, o Gigante Adormecido”...

- Yuu-san, você está bem? Yuu-san?

 

Não consegui responder, apenas assentir. Ainda fiquei encarando aquelas palavras por um tempo, então pedindo licença para ele e indo procurar o Hyde, que estava com um homem loiro e alto, que me parecia familiar, mas não liguei na hora. Dei qualquer desculpa e sai do lugar rapidamente, transtornado.

Não. Aquilo devia ser coincidência! Só podia ser. Meu melhor amigo não faria algo assim comigo... Faria?

 
 
Current Mood: okayokay